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José Mindlin fala sobre leitura e biblioteca

O maior bibliotecário do Brasil

A saga de José Mindlin, o empresário que deixou tudo para cuidar de livros, em um país onde a leitura não é prioridade. Quarenta mil livros depois, ele está prestes a ser imortalizado


Reportagem da revista ISTO É - 03/05/2006
Por Célia Chaim

É uma vida inteira dedicada aos livros – velhos, raros, novos, usados. O empresário José Mindlin, 91 anos, se move com exacerbado carinho pelas obras literárias. Ele chega ao ponto em que consegue reconhecer a idade de um volume apenas tocando em sua textura. Mindlin é um candidato fortíssimo para a escolha de um novo integrante da Academia Brasileira de Letras em junho, quando o Brasil entra na Copa do Mundo.

Seu recente livro, Uma vida entre livros, é delicioso. Mas ele já escreveu muito, sempre para estimular a leitura, sua verdadeira paixão – uma paixão que brotou ao lado de uma jabuticabeira, no jardim de sua casa, onde plantou sua grande relíquia: a maior biblioteca particular do Brasil, hoje com 40 mil títulos. Não dá para reduzir sua grande paixão à palavra “patrimônio”. Fica feio, desmerece o que ele certa vez chamou de “uma loucura mansa”. Muito mais que um amigo dos livros, ele é acolhedor, simples, como todo intelectual de grande time. Não gosta de holofotes, prefere as luzes amenas e aconchegantes de seu imenso tesouro, os livros. Paixão que alimenta com fervor desde os 13 anos. A biblioteca vem de seu amor pela leitura e do prazer de manusear as páginas. “Não gosto de livro difícil, a não ser excepcionalmente, e com boas razões, como com Proust, Joyce e Guimarães Rosa, por exemplo.” Age como um zeloso bibliotecário a valorizar o que há de mais expressivo na história da literatura. Na verdade, ele é um bibliófilo, denominação complicada para seu gosto por leituras simples.
Continuar leitura.
Data de publicação: 8/5/2006

Ouça dicas de José Mindlin sobre leitura e formação de bibliotecas

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